Marty Supreme
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Crítica | Marty Supreme, um vai e vem que não chega a lugar nenhum

Um dos filmes queridinhos da temporada de premiações é Marty Supreme, produzido e estrelado por Timothé Chalamet. Ele chegou nos cinemas em janeiro desse ano aqui no Brasil. Foi uma expeirência cinematográfica complicada, já adianto a vocês. Mas fiquem com a crítica para entender melhor.

→ Marty Mouser: um trambiqueiro pra lá de egoísta

Na década de 1950, às sombras do fim da 2ª Guerra Mundial, Marty Mouser achou sua vocação na vida: ser um atleta profissional de tênis de mesa, o tradicional pingue-pongue. E, para participar dos torneios mundiais e se provar como o maior dos tenistas, ele fará qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo.

Seus amigos não podem confiar nele, sua família muito menos. Tudo o que importa é vencer o campeonato. A questão é que ele será em Tóquio dessa vez e Marty não é exatamente um herdeiro milionário. Então, para conseguir o dinheiro ele manipulará a tudo e todos.

 Marty Supreme

→ Um vai e vem feito jogo de pingue-pongue

O filme, dirigido por Josh Safdie e protagonizado por Timothé Chalamet, tem uma premissa interessante, mas ele basicamente para por aí, com exceção de uma artimanha do roteiro. Em um jogo de tênis ou pingue-pongue, o público fica indo e voltando com a cabeça para acompanhar o movimento da bolinha, certo? Em Marty Supreme, o público passa por esse mesmo movimento, acompanhando Martyconseguir e perder o dinheiro para a sua viagem o tempo inteiro.

Essa engenhoca pode ser uma ideia interessante, porém acabou sem uma faca de dois gumes. De um lado, uma ideia aparentemente boa, para gerar a sensação de um jogo de verdade em tela. De outro, uma repetição quase infinita que chega inúmeras vezes em seu “match point”, cansando o expectador, e resetanto o equilíbrio da partida, ou melhor, do filme.

Marty Supreme

→ Marty Supreme: O papel da carreita de Timothé Chalamet

Agora, se tem um ponto positivo no filme é a atuação de Chalamet. Ele entrega um personagem odiável, asqueroso, manipulador e sem escrúpulos tão bem que nós passamos a odiá-lo com muita facilidade.

Além disso, precisamos admirar o comprometimento do ator ao treinar tênis de mesa por anos para poder passar da forma mais veridica possível o talento de Marty Mouser. Isso realmente não dá para colocar defeito no filme. Os jogos não parecem um grande ensaio (como cenas de luta), parecem uma partida para valer.

Marty Supreme

→ Falta conexão, falta história

Ainda assim, Marty Supreme deixa a desejar com um roteiro fraco, repetitivo, cheio de personagens mal trabalhados. O hiperfoco em Marty dá errado porque ele não é uma pessoa minimamente fácil de se gostar. Você não torce para ele vencer, vocÊ não aguenta mais ouvir ele falar sobre ir ao campeonato.

Ao redor dele, temos núcleos que são somente ferramentas para conseguir dinheiro, mas podiam ser mais. Temos uma amiga de infância em um caso extraconjugal e um casamento infeliz. Uma mãe com uma relação conturbada. Um casal (um grande empresário e uma atriz famosa aposentada) que poderiam ter mais espaço. Enfim, muito desperdício em um filme só.

→ Veredicto

Se Marty Supreme ganhar o Oscar 2026 de Melhor Filme, eu não acompanho mais essa premiação para o resto da minha vida. Afinal, para mim, ele nem devia ter sido indicado para começo de conversa. É um filme bem chato, daqueles que você não se prende e fica se perguntando quanto tempo vai demorar para acabar.

Imagens: A24 | Divulgação

Apaixonada por música, cinema, moda e literatura, história mundial e andar de bicicleta. Sonha em ter muitos carimbos em seu passaporte.

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