Ladrões de Drogas | Ruas vivas, roteiro sem alma (1ª Temporada)
Em Ladrões de Drogas, Ray (Brian Tyree Henry) e Manny (Wagner Moura), amigos há anos, estão em um esquema bem específico. Os dois fingem ser agentes da DEA, agência federal de controle de narcóticos estadunidense, e surpreendem pequenos traficantes de drogas da Filadélfia para roubá-los. Eles se preparam bem, com fontes, fantasias, distintivo e discurso ensaiado. Até então, o esquema trouxe seus lucros e garantem aos dois uma boa renda para sustentar suas casas.
Os dois, no entanto, recebem uma proposta um pouco ousada para aplicar o trambique: sair um pouco do “mercado” da Filadélfia e roubar traficantes dos arredores. O problema é que o que parecia ser uma operação relativamente simples é, na verdade, um ponto de fabricação de uma mega máfia, líder da produção de drogas do leste americano. Quando o golpe dá extremamente errado, os dois viram alvos. Agora, eles precisarão fugir e lutar pela sua sobrevivência e a de suas famílias e amigos.

→ Do humor ao suspense confuso
Com total de oito episódios, Ladrões de Drogas promete uma perseguição eletrizante e perigosa. A série começa, até mesmo, entregando tons de comédia nos diálogos e cenas entre Ray e Manny. A química entre os protagonistas é muito bem trabalhada naquele momento e sustenta os primeiros episódios.
Após o ponto de reviravolta, o assalto que dá errado, algo muda na série. A comédia cai por terra totalmente, trazendo um roteiro confuso e pretencioso em todo final de episódio, como se os últimos dez minutos fossem disfarçar toda a enrolação da hora que se passou naquele episódio.
Os episódios do meio da temporada trocam o protagonismo duplo pelo foco em Ray que é, na realidade, um personagem bem arrogante e chato. A abordagem de uma história de amizade era um chamariz muito importante e abandonar isso, ao meu ver, foi um tiro no pé.

Dessa forma, o meado da temporada de Ladrões de Drogas é arrastado demais, preenchido por um bocado de ameaçadas em vão da máfia, rondando em suas motos, enquanto Ray fica para lá e para cá igual à barata tonta. Nesse meio tempo, poderiam ter trabalhado melhor o passado de Ray com seu pai (sem falar no luto por uma namorada perdida – plot que não serviu de nada na história), a amizade dele com Manny, a história dele com Son Pham, mas não. Vamos deixar o cara desesperado, correndo sem rumo, amedrontado por uma voz onipotente.
→ Ladrões de Drogas: só o elenco presta?
Quando as coisas finalmente andam, o papel de Ray também se transforma. Agora, ele é um super investigador movido pelo trauma e pela descoberta de um segredo que nunca tinha feito parte da história no início da temporada. Só jogaram ali como se fosse uma esmola para uma história quase perdida.
A amizade dos protagonistas retorna brevemente, mais trabalhada no drama. E, não me entendam mal, os atores que trouxeram Ray e Manny à vida fazem um trabalho espetacular. Todo o elenco fez um ótimo trabalho. Ele sustenta a série. Inclusive, obviamente, Wagner Moura entrega mais uma encenação de primeira. Ele só podia ter sido melhor explorado. O cara nasceu com talento tatuado na alma, mas não souberam aproveitar isso. O destaque dele para mim vai para o episódio em que ele está na cadeia – o melhor episódio da série de longe!

→ Vale a pena assistir?
Só que no final de tudo… A palavra que resume Ladrões de Drogas para mim é frustração. Era uma história promissora, com uma estética interessante, um elenco absurdo, e tudo isso não adiantou para trazer uma série minimamente marcante para o público. É só ok, sabem? Assisti, terminei, mas não reveria e não recomendaria como primeira opção de um suspense policial. Infelizmente.
OBS: A coisa mais marcante para mim na série é a abertura, retratando aquela comunidade da Filadélfia onde as ruas e as casas veem o passar do tempo, mas as pessoas permanecem em essência as mesmas.
Ficha Técnica

Elenco:
Brian Tyree Henry (Ray) Wagner Moura (Manny) Marin Ireland (Kristy Lynne) Kate Mulgrew (Theresa Bowers) Ving Rhames (Bart) Dustin Nguyen (Son Pham)
Criado por: Peter Craig
Onde assistir: Apple TV+
Título original: Dope Thief → Baseada no livro homônimo de Dennis Tafoya (304 páginas) – sem publicação no Brasil


