Frankenstein (2025) - Netflix
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Crítica: Frankenstein | Guillermo Del Toro e a alma do monstro

No último dia 07, a Netflix lançou sua mais recente parceria com o icônico cineasta Guillermo Del Toro: a adaptação de Frankenstein. Com Oscar Isaac no papel do cientista que desafia a natureza, Jacob Elordi no da criatura, e ainda contato com Mia Goth e Christopher Waltz. O filme tem dividido o público e eu vim deixar minha opinião registrada.

Sinopse

O cientista e médico-cirurgião Victor Frankenstein (Oscar Isaac) almeja vencer o maior limite da vida: a morte. Através de experimentos com energia elétrica e pedaços de soldados e prisioneiros mortos, Victor pretende construir um ser-humano do zero. E, depois de muito trabalho, tentativa e erro, ao conseguir seu feito polêmico e inacreditável, ele se vê obrigado a cuidar e ensinar a sua criatura (Jacob Elordi) sobre o mundo ao redor.

Frankenstein
Imagem: Netflix

Essa empreitada tinha o patrocínio de um empresário bélico, Henrich Harlander (Christopher Waltz), que traz de volta para a vida do protagonista o irmão mais novo de Victor, William (Felix Kammerer), com sua nova noiva, Elizabeth (Mia Goth). Elizabeth é uma jovem peculiar, insatisfeita com o mundo que vive e curiosa sobre as possibilidades de uma realidade diferente. Ao conhecer Victor, acredita que achou uma porta para esse novo mundo, mas a ambição do cientista se mostra um empecilho e a verdade epifania vem ao conhecer o resultado do seu experimento.

Mary Shelley estaria aplaudindo de pé

Para aqueles que não sabem, Frankenstein é um clássico da literatura inglesa, escrito no século XIX sob a influência de um momento bastante gótico da arte. Sua autora, Mary Shelley, o escreveu com apenas 18 anos e sua pouca idade não impediu de criar algo tão duradouro quanto a sua criatura.

Frankenstein
Imagem: Netflix

Guillermo Del Toro, diretor e roteirista, com toda a sua fascinação pela fantasia, construiu uma adaptação literária extremamente fiel ao livro de Mary Shelley. Poucas modificações foram feitas e, para mim, nenhuma delas entrou em combate com as palavras de Shelley de maneira significativa.

Del Toro e sua bem-vinda obsessão por detalhes

Desde Pinocchio, percebi o quanto o diretor e roteirista se debruça sobre cada pedacinho da sua criação cinematográfica. Seus cenários são sempre incríveis, realistas e aprofundam a experiência do público. Frankenstein é uma ode ao período gótico da literatura e para manter sua essência, Del Toro não poupou esforços.

Da casa de infância de Victor até ao casebre onde a criatura se esconde e aprende sobre a vida, o cuidado com a ambientação (que inclui o cenário, o figurino, a fotografia) é incontestável. Qualquer pessoa que diga que esse filme não foi extremamente bem feito, está tão imersa na loucura quanto o nosso protagonista cientista.

Frankenstein
Imagem: Netflix

Mais de duas horas de performances poderosas

A escolha do elenco para esse filme me surpreendeu muito. Particularmente, tinha minhas ressalvas com Jacob Elordi, mas depois do que assisti em Frankenstein estou muito mais aberta e até curiosa com o que ele pode entregar no futuro. Oscar Isaac, por sua vez, é implacável e traz um Victor intenso, ambicioso e teimoso, do jeito que precisava ser, até mesmo quando seu personagem está mais no campo da insanidade do que na realidade. Aqui é onde ele brilha.

Mia Goth dá vida a uma Elizabeth oscilante entre curiosa e perspicaz, e decepcionada e sem esperanças, mostrando bem o dilema da noiva de William, um irmão dedicado e honestamente sem sal. Por fim, Christopher Waltz coloca um pouco de caricatura no elenco ao interpretar seu tio, o empresário Harlander, até sua máscara desmanchar e suas verdadeiras intenções virem à tona.

O monstro foi assim tão óbvio?

A maior questão de Frankenstein é entender que, por mais aterrorizante que a criatura seja, ela não será a maior ameaça da história. Isso porque ela não sabe que deve ser. Até um ser humano incentivá-la. Frankenstein fala sobre como a ausência de cuidado, compaixão, compreensão, afeto, amor, sentimentos fundamentais para nós, pode reverberar no desenvolver de uma alma machucada e cheia de ódio. E foi exatamente isso que Del Toro conseguiu extrair do livro de Shelley e colocar tão bem na tela do streaming.

Frankenstein
Imagem: Netflix

Victor duplicou seu pai ausente nele mesmo e, quando tudo ficou difícil, desistiu do seu filho, sua criatura, assim como seu pai, indo embora de casa sempre que podia. Depois de conseguir seu grande feito, ele nega a responsabilidade afetiva sobre ele. Mesmo quando tudo o que ele precisava fazer era simplesmente estar lá e nada mais, afinal “Victor” era o mundo inteiro do suposto monstro.

Mas aquele fator uau…

Uma adaptação magistral, um elenco primoroso, uma mensagem bem explorada… Só que eu terminei o filme sentindo que precisava de algo mais. Algo que brilhasse um pouco no meio de uma história tão conhecida. E isso me fez questionar se precisamos de uma adaptação tão fiel assim todas as vezes.

Ainda assim, em nenhum momento vou te dizer que Frankenstein é um filme ruim ou que não gostei. É um ótimo filme e recomendo a todos que tiverem estômagos semi-fortes a assistir. Só mantenham seus pés no chão. E bom filme.

Apaixonada por música, cinema, moda e literatura, história mundial e andar de bicicleta. Sonha em ter muitos carimbos em seu passaporte.

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