Wicked - Parte 2
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Crítica | Wicked: Parte 2 – Beleza Nem Sempre Basta

Depois de um ano de espera, a continuação da aventura de Elphaba e Glinda em Wicked : Parte 2 finalmente chegou aos cinemas. E, como uma boa cinéfila curiosa que sou, não perdi esse momento. Agora, será que valeu a pena?

Sinopse de “Wicked: Parte 2”

Após descobrir a verdade sobre o mágico de Oz, Elphaba (Cynthia Erivo) foge determinada a contar a todos a verdade. No entanto, acaba sendo perseguida pela Cidade das Esmeraldas a mando do suposto feiticeiro. Enquanto isso, Glinda (Ariana Grande) se torna a face da bondade e gentileza, um acalento estratégico para o povo seguir acreditando na farsa e incriminando Elphaba.

A agora a Bruxa Má do Oeste faz de tudo para expor a verdade, mas a sua perseguição e amores do passado levam a amizade com Glinda a extremos perigosos. Alarmantes o suficiente para que, talvez, abandone sua bondade para sempre.

Wicked - Parte 2

Aviso: Antes de mais nada, preciso deixar claro que eu não sou uma grande conhecedora do musical da Broadway que deu origem ao filme. Só conheço ele de ouvir falar. Então, me baseio somente nos dois filmes que assisti, ok?

1 vs. 2: Relembrando Wicked

A primeira parte de Wicked, lançada em 2024 nos cinemas, apresenta uma dinâmica mais reduzida, focada em um universo colegial, mais adolescente, onde nós somos introduzidos a formação da personalidade de Glinda e, principalmente, Elphaba.

Ali nós entendemos toda a dificuldade da jovem por ser diferente. Elphaba nasceu com a pele verde e, mesmo em um mundo mágico, isso era algo surreal. Naquele momento, ao mesmo tempo em que suas diferenças são escancaradas, foi necessário somente uma mão amiga para que o cenário mudasse. Naquela escola, nasceu a amizade que move o filme até a sua mais recente parte, estreada no cinema neste mês.

Wicked - Parte 2

Já no segundo filme, o universo se expande. A Cidade das Esmeraldas vira palco principal, assim como outros pontos de Oz. A trama deixa de se concentrar apenas em dilemas internos de aceitação e respeito e avança para debates políticos e sociais ainda mais urgentes. E Glinda e Elphaba precisam sobreviver as pressões de uma vida adulta conturbada, cheia de manipulações.

1 vs. 2: uma continuação de respeito?

Em “Wicked – Parte 2”, assim como no primeiro filme, o público continua vendo uma cenografia deslumbrante e um figurino que beira a possibilidade da magia se tornar real. No entanto, algo se perdeu ali no âmbito musical. Ao meu ver, as músicas no primeiro filme foram muito melhores. Eram mais memoráveis para quem estava assistindo e complementavam melhor a história.

Além disso, outro ponto negativo para mim foi a falta de química entre Cynthia Erivo e Johnathan Bailey. Enquanto ele parecia tentar demais, ela não aparentava vontade alguma. Retirando esse ponto da atuação deles, Cynthia Erivo entregou muito bem a personalidade de Elphaba mesmo com todos os obstáculos na trama da personagem. E, claro, Ariana Grande se manteve como uma excelente Glinda.

Mas, preciso comentar também, sobre como Michelle Yeoh e Jeff Goldblum. Ambos atores excelentes, com um currículo de dar inveja, mas extremamente mal aproveitados aqui. Seus personagens ficaram sem camadas, sem aprofundamento. E, mesmo assim, trazem uma interpretação perfeita daquilo que foi pedido para eles: uma feiticeira habilidosa e ambiciosa e um homem com sede de poder, mas extremamente tolo.

Wicked - Parte 2

Ainda assim: o filme funciona?

Algumas coisas foram resolvidas rápido demais. E aqui deixo um spoiler para exemplificar (passe para a próxima imagem caso não queira saber). A amizade entre Glinda e Elphaba sofre bastante neste filme e obviamente, vemos um embate entre a ingenuidade da primeira e a desconfiança banhada de esperança da segunda. (Aqui mora o spoiler) Contudo, com a escolha de Fiyero de deixar Glinda para ir com Elphaba, seu verdadeiro amor, Glinda entrega a irmã de sua amiga como isca para os vilões da história. E isso aqui, pessoas, foi perdoado rápido demais, corrido para o final glorioso de Dorothy em O Mágico de Oz.

Como ponto completamente positivo para mim, preciso comentar que o encaixe da história de O Mágico de Oz em Wicked foi muito bem feito, ainda que não surpreendente. Acredito que a maior parte das estratégias para esse enlace não tenha sido feito para surpreender ninguém, eram bem óbvias. Mas todas foram muito bem roteirizadas.

Wicked - Parte 2

Veredito:

Então, Wicked é ruim?

Não. Wicked é um filme encantador e muito bem feito para os amantes de musicais. Ele só não é “aquilo tudo” em alguns pontos, como listei no post. Ainda assim, vale assistir e se emocionar com uma trama sobre uma amizade e magia – com pés no chão, sem desafiar a gravidade.

Imagens: Universal Pictures

Apaixonada por música, cinema, moda e literatura, história mundial e andar de bicicleta. Sonha em ter muitos carimbos em seu passaporte.

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