Hamnet - Anatomia Pop
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Crítica | Hamnet é um dos filmes mais bonitos da temporada

Eu vou poupar seu tempo e dizer logo que Hamnet é um dos filmes mais bonitos dos últimos anos. Um dos filmes queridinhos da temporada de premiações de 2026, Hamnet foi dirigido por Chloé Zao e protagonizado por Jessie Buckley. E, com certeza, as duas brilharam nessa produção.

Hamnet conta a história de Agnes, filha do primeiro casamento de seu pai, herdou da mãe o apreço pelo poder da natureza e suas energias. Ela se apaixona por um jovem tutor de latim e nós começamos a acompanhar uma história de amor e família no século XVI. Seu marido ambiciona ser um grande escritor de peças, contador de histórias, mas ela percebe rapidamente que ele só conseguiria alcançar seu sonho se saísse do interior da Inglaterra e fosse para Londres.

Apaixonada e independente, Agnes apoia seu marido e sustenta o cotidiano da sua família, a quem ama perdidamente e cuida com todo seu coração. O conto de fadas, contudo, cai por terra quando uma tragédia acomete seus filhos e ela perde seu menino, Hamnet.

O filme foi adaptado do livro Hamnet – um romance sobre luto, a peste e uma das maiores peças de todos os tempos, de Maggie O’Farrell.

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→ Aplausos de pé para Jessie Buclkey

Não tenho como começar a escrever o que senti ou pensei sobre esse filme sem falar sobre a atriz que deu tudo de si para nos entregar Agnes, uma protagonista tão especial, crua, singular. Ela tem levado todas as premiações em que está indicada como melhor atriz e não me surpreenderia que levasse o Oscar também.

O delicadeza e firmeza de Agnes são ambas muito difíceis de equilibrar e igualmente humanas. Buckley consegue fazer isso com maestria e transforma um cenário simplório, conveniente a época, em algo extraordinário com sua presença.

→ Hamnet: Chloe Zao e sua obra-prima

Chloé Zao está no meu radar de “assistir tudo o que essa mulher fizer, até adaptação de receita de bolo”. Seu ritmo de direção é mais lento, mas na dose ideal para agregar sentido e fluxo em cada filme.

Em Hamnet, não foi diferente. Uma história que se passa no século XVI não poderia abrigar rapidez com muita facilidade, muito menos uma que explora o dia-a-dia e posteriormente o luto. Então, na minha humilde opinião, Zao foi a escolha perfeita para adaptar essa história.

→ Adaptações não precisam ser perfeitas

Em um momento onde muita gente critica adaptações literárias (com o lançamento de O Morro dos Ventos Uivantes, de Emeral Fennell), é preciso lembrar que a premissa de levar linha por linha, palavra por palavra de um livro para a tela é bastante surreal. Ainda assim, é possível resgatar essência de cada obra e construir algo que passe as emoções prometidas.

Apesar de ainda não ter terminado a leitura, eu acredito que Zao atingiu o objetivo com excelência. O tom de voz da narração, poético e taciturno, estão traduzidos em uma fotografia linda e um roteiro inteligente.

→ A beleza na tristeza e no luto em Hamnet

Caso você ainda não saiba, Agnes é a esposa de William Shakespeare. Mas, apesar de sim, ser um personagem importante, a estrela da história passa longe de ser ele. Agnes é uma protagonista bem construída, humana, que lida com as questões da vida como muitos de nós lidaríamos – mas, talvez, com um pouco mais de coragem.

E, vivendo como se deve ser, ela encontra o luto. Ela vive uma das piores dores que o ser humano pode enfrentar: perder um filho. Um personagem, um narrador, um ambiente, o luto é um gancho poderoso em Hamnet e foi desenvolvido com muita verdade, de forma muito comovente.

→ Veredito:

Hamnet é definitivamente um dos filmes mais bonitos e bem feitos que já vi. E espero que seja para você também.

Apaixonada por música, cinema, moda e literatura, história mundial e andar de bicicleta. Sonha em ter muitos carimbos em seu passaporte.

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