Twin Peaks | 3 coisas que ficaram sem resposta
Eu comecei a escrever um diagnóstico para Twin Peaks: O Retorno, mas confesso que desisti. Era muito complicado e se eu fosse comentar tudo e descrever toda a temporada, o post seria imenso. Por isso, para marcar o fim da temporada, resolvi selecionar três mistérios que Lynch deixou sem resposta para nossa eterna (?) curiosidade. Vamos lá?
Quem era a menina que engoliu o inseto?
O primeiro mistério faz parte de um dos maiores elogios que Lynch e Frost receberam pela temporada. Twin Peaks ficou muito conhecido por revolucionar a TV da década de 90 com sua nova estética e desenvolvimento de trama. Agora, mais de vinte anos depois, a fama disso pairou sobre a série e desafiou os criadores/diretores/produtores a honrá-la. E, é claro, que eles conseguiram. Algumas sequências na temporada exploraram o lado místico e artístico da série. Em especial no episódio 8, Lynch transbordou esquisitices, dúvidas, cenas obscuras e abusou das técnicas de luz, fotografia e som – nós vimos, inclusive, um cogumelo atômico! Foi um verdadeiro show cinematográfico. Dentro deste momento, ele traz uma menina, que se despede do namorado, entra em casa e vai dormir. Logo após, um inseto surge e se esforça para entrar na boca da menina. Ela o engole – que nervoso – e nós não entendemos nada. Sugestões?
O que aconteceu com Audrey Horne?
O final da segunda temporada, lá em 1990, deixou Audrey Horne cada vez mais envolvida com o hotel de seu pai e dizendo adeus a um amor de juventude. Ela era a cara do poder e da determinação, uma business woman. Muita gente fã da série lembra que ela e o protagonista Cooper teriam formado, em teoria, um par amoroso – que foi vetado por MacLachlan na época por Audrey ainda estar terminando o ensino médio. Ela foi uma personagem muito querida pelo público e o seu retorno no revival era muito aguardado. Quando finalmente apareceu, no episódio 12, ela estava histérica com o desaparecimento do seu filho, Billy Horne, – que para falar a verdade não consegui entender quem era seu (se souberem me avise nos comentários, por favor!) – e extremamente confusa.

Nos poucos momentos em que apareceu após isso, o seu comportamento era o mesmo. Discutia com seu marido, insultando-o e buscando repostas ao mesmo tempo. Ela não tinha segurança de nada sobre si mesma e seus arredores. Após alguns episódios, no 17, ela repetiu um momento icônico da sua jornada: a dança de Audrey. E ele serviu de gatilho para que ela enxergasse algo de verdade, em um lugar muito iluminado e branco, onde se sente mais perdida que nunca. E nós também.
What year is this?
Claro que a dúvida maior foi a frase final da temporada. Em busca de consertar os erros cometidos por Frank com a família Palmer, Cooper volta no tempo para salvar Laura Palmer de ser assassinada. Ele, contudo, perde Laura no meio de seu resgate para o novo mal, Judy, e precisa retomar alguns caminhos para reencontrá-la. Quando finalmente a acha, Laura não é mais Laura, anos se passaram e ela não se lembra da vida que tinha em Twin Peaks ou de quem era. No entanto, ela aceita viajar com Cooper para sua suposta cidade natal para fugir de alguns problemas que criou em Odessa, onde vivia.
Ao encontrar a casa de infância, ela não tem nenhuma memória de ter vivido ali, ou mesmo de seus pais. A dona da casa não é Sarah Palmer e Cooper não entende o que deu errado. Eles retornam para o carro em dúvida e, enquanto Cooper tenta descobrir o que está acontecendo e pergunta em que ano eles estão, Laura começa a ouvir vozes e um grito que chama por seu nome. Ela própria grita – Twin Peaks sem Laura Palmer gritando raramente seria Twin Peaks – e a série termina.
E agora? O que acontecerá com os dois perdidos em um mundo de outra época, ou até mesmo em um mundo que não é o deles? A preocupação com o futuro da história e dos seus personagens, somada às dúvidas e mistérios criados por Lynch, fazem milhares de fãs implorarem por uma nova temporada. Até agora não há indícios que a história de Cooper irá continuar, mas quem sabe, não é mesmo? Eu adoraria desvendar essas e outras questões mais que O Retorno deixou de presente. Mas conhecendo Lynch e suas obras, provavelmente teríamos mais perguntas sem soluções ainda. O que nos resta é esperar – e reassistir o Retorno para tentar entender e pegar dicas que não conseguimos na primeira vez.